[in the box] Malleus Maleficarum para iniciantes.
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10.5.06
História Musical ParticularCap. 7 - "Nothing Else Matters" ou "O Segredo de Tombstone"O primeiro album do Metallica que conheci foi Ride the Lightning. Virei fã de imediato, e desconhecia completamente os hits radiofônicos do Black Album de 1991. Esta é a peculiaridade acerca de minha relação com o Metallica: conheci os albuns de maneira cronológica, virei fã incondicional e acompanhei a evolução/amadurecimento da banda. Em outras palavras, desde o estágio "bata sua cabeça no palco até sangrar" até o "fume charutos ouvindo country". E isso é literal, veja a letra de Whiplash:
bang your head against the stage like you never did before! Make it ring, Make it bleed, Make it really sore! Os três discos intermediários do Metallica são indiscutíveis paradigmas do trash-metal: Ride The Lightning, Master of Puppets e o And Justice for All. Soberbos, meus preferidos. Músicas destes discos compunham 90% do repertório da Tombstone, promissora banda que montamos no segundo semestre de 1999 em Erechim. Lamentavelmente, no início de 2000, o baterista foi estudar economia em Florianópolis e o guitarrista (eu), veio parar em Porto Alegre, num lugar chamado "Fabico". A Tombstone nunca chegou a fazer show algum. O primeiro (e já sabíamos, o único) seria realizado na "Coco Bongo", casa noturna de Erechim. Quebraríamos tudo. Infelizmente, na tarde da sexta-feira, meu telefone tocou e fui informado que o "promoter" do evento havia fugido da cidade e era procurado pela Polícia Federal. De volta ao Metallica. Obviamente fui arrebatado pelo Black Album assim que o conheci. Tal disco, provavelmente o mais importante dos anos 90 ao lado de Nevermind, com hits como Enter Sandman e The Unforgiven está acima de qualquer suspeita. Mas falar isso não é novidade alguma. Toda a questão remete a 1995, quando os caras apareceram de maquiagem, cabelo curto e músicas sem nenhum relação com as anteriores. Foi o lançamento do disco Load. A maior parte de meus amigos cortou definitivamente relações com a banda. Vi Jason Newsted (baixista) em uma entrevista, afirmando que o disco seria assimilado pelos fãs com o tempo. Comprei o cd de uma colega minha e, após um tempo, entendi tudo: era uma outra banda. Inclusive a troca de logotipo, não era por acaso. E virei grande fã deste novo Metallica. Porra, os caras estão mais velhos, não têm mais paciência para ficar batendo no "Mi" da guitarra 12 vezes por segundo, demolindo a bateria com tanto pedal duplo e fazendo quatro solos por música (apesar de eu ainda gostar de tudo isso). "Ronnie", faixa 13 do Load, exemplifica bem o que a banda entendia como evolução. Assim, pela primeira vez notei que meus critérios estavam tomando forma. Minha "personalidade" musical, pode-se dizer, cresceu junto com o Metallica.
I´m digging my way to something better Reload, de 1997, é um disco inferior ao Load, mas ainda muito bom. Músicas como Fixxxer e Fuel valem o disco. O Garage Days de 1999 é uma ótima coletânea de covers da banda: um disco só com gravações dos anos 80, sobretudo Motorhead e Misfits; o outro, gravado na época do lançamento, homenageava desde Black Sabbath até Nick Cave. Na turnê do Garage Days, o Metallica passou por Porto Alegre. Dois ônibus vieram de Erechim para o show - eu em um deles. Não me importei ao passar nove horas em chamas na fila. Até hoje lembro do set-list com certa precisão. Aliás, mesmo tendo horas de gravações com shows da banda, desconheço set-list melhor que o executado em Porto Alegre. Os acordes iniciais de "Fight Fire With Fire" exorcizaram o jóquei clube, que semanas antes havia sido poluído pelo lixo sonoro na reunião picareta dos mascarados do Kiss. Fiquei decepcionado em 2001 com o Metallica. Após a saída de Jason Newsted, a banda parece ter esquecido que não precisam provar nada pra ninguém, e tentaram lançar um disco "tão pesado quanto antes". Não me atrevo a dizer que o St. Anger é ruim, pois posso me arrepender. Desnecessário, talvez seja a palavra certa. Comments: |