[in the box] Malleus Maleficarum para iniciantes.
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29.4.06
Comments: 27.4.06
uma baixa no elencoZé Victor Castiel não gostou de meu post acerca da corrida espacial brasileira. Abaixo, o email que recebi e a réplica:"Lendo a manifestação abaixo cumpre ressaltar: realmente se o brasileiro fosse gaúcho seria insuportável ( a história dos caranguejos lembra??). Quanto à referência de verbas públicas ou obtidas por lei de incentivo, me disponho a conversar com você a razão pela qual sempre fui ABSOLUTAMENTE CONTRA. Não caia em armadilhas de disse-me-disse. Acho até engraçado. Amigo, se informe melhor. Eu NUNCA utilizei verba pública para nenhum de meus projetos. NUNCA. Sempre paguei minhas produções, sejam individuais ou coletivas com dinheiro da iniciativa privada ou com dinheiro de bilheteria (muitas vezes bancando prejuízos com o meu próprio dinheiro). Quanto à Lei de Incentivos, por ser radicalmente contra a renúncia fiscal de empresas para apoio à cultura, NUNCA tive um projeto sequer inscrito em Leis de Incentivo, sejam elas estaduais (LIC), Municipais (FUNPROARTE) ou Federais (Rouanet). Assim, informe-se antes de difamar quem você não conhece. Meu nome não consta como recebedor de verba pública em NENHUM órgão público. Quanto ao Werner ou ao Breda, não posso te informar, mas estou encaminhando seus comentários para eles também. Quanto à mim, posso garantir. Fico à disposição Zé Victor Castiel" Resposta: Olá Zé Victor Lamento se meu post lhe causou algum transtorno, não era a intenção. Quanto ao assunto "verbas públicas de incentivo à cultura", não estou fazendo nenhuma acusação, como está bem claro. Sequer é o assunto do post. Nem sei como estes mecanismos de incentivo funcionam e, na verdade, não tenho interesse em saber. O parágrafo final tem apenas a intenção de apontar um certo bairrismo, um certo "gaúcho é melhor em tudo" que refletiria na produção de um filme nos moldes de "Neto perde sua Alma". A referência a nomes, entre eles o teu, não tem nenhuma relação com isso, apenas enumera atores gaúchos que são referências nas produções locais - o que imagino ser motivo de orgulho para os mesmos. Não tenho a intenção de emular Diogo Mainardi, se é o que imaginas. (sei que ele não tem grande admiração entre o pessoal do cinema daqui) Não tenho a pretensão sequer de ser lido, meu blog é visitado apenas por um punhado de amigos. qualquer coisa, estou à disposição um abraço Antenor Comments: 24.4.06
História Musical ParticularCap. 666 - O solo mais bonito de todos os temposComo mencionei anteriormente, entre os cds emprestados circulavam títulos do Iron Maiden. Para um adolescente disposto a encarar qualquer tipo de barulheira, com o objetivo final de ter um gosto musical peculiar e "diferente da maioria", a boa vontade com as bandas era grande. Ouvir o Roots do Sepultura, ou o Reing in Blood do Slayer inicialmente não faz sentido algum. Percebe-se que não há mais volta quando o que inicialmente era barulho transforma-se em algo capaz de arrepiar os poucos pêlos do braço de um púbere. E Iron Maiden, definitivamente, não é algo difícil de ser assimilado. Qualificado hoje em dia como "heavy metal tradicional", mas sendo claramente a principal influência para o "metal melódico" ou para o "power metal", o Iron é a grande banda do que se costuma chamar New Wave Of British Heavy Metal, ou NWOBHM. Escrevi este parágrafo apenas para citar esta sigla, que sempre me pareceu um grande disparate. Mas mencione a mesma para qualquer headbanger, e ele vai saber do que se trata. A verdade é que não é fácil fazer alguém ouvir Iron Maiden. Mas, uma vez arrebanhado, é impossível fazer alguém deixar de gostar da banda. Tudo ficou bastante claro quando escutei "Live After Death", show de 1985, gravado em Long Beach. Ainda hoje, considero o melhor disco ao vivo de todos os tempos. Qualidade garantida pelo discurso de Winston Churchill na introdução de Aces High.
"Long Beach Arena, Scream For Me!!!" Mas Afraid to Shoot Strangers é o nome da faixa 7 de outro disco ao vivo, o "A Real Live One". Inicialmente, a levada tediosa pode desanimar qualquer ouvinte, mas quando Bruce Dickinson encerra o verso "no trust, no reasoning, no more to say", começa o dueto de guitarras que convencionamos chamar de "o solo mais bonito do mundo". Impossível passar incólume após ouvi-lo.
"Scream for me Helsinki!!!" - "Scream for me Lausanne!!!" No meu projeto de médio prazo, de transformar todos os meus amigos em metaleiros, é fundamental a presença de Iron Maiden. Para começar, escute "A Real Dead One" e "A Real Live One", ambos discos ao vivo, com faixas gravadas em diversas cidades da Europa durante a turnê de despedida de Dickinson. O primeiro contempla músicas dos primeiros discos da banda, até o Powerslave, enquanto o segundo coleciona hits do Somewhere in Time até o Fear of The Dark. Ou faça como eu, escute o Live After Death. Mas não diga que não avisei. Comments: História Musical ParticularCap 5 - Nova AdvertênciaEm 1997, a NET chegou nas imediações de casa, e isso só significava uma coisa para mim: MTV. A partir daí, eu gravava de tudo, e os critérios melhoraram só com o passar dos anos e com a decadência no interesse em gastar 6 reais para comprar VHS virgem. A significativa coleção de videos que ainda tenho por aqui remonta desta época e, no auge do tédio, a melhor saída é o infindável trabalho de catalogar tudo que está gravado em cada uma. Também por volta desta época, amigos meus formaram uma banda. Nirvana, Silverchair e coisas não tão difíceis tecnicamente eram a base do repertório, e a febre por aprender a tocar um intrumento se alastrou rapidamente pelo círculo de amizade. Inicialmente pensei em tocar baixo. Consegui um violão emprestado de uma vizinha e tentava tirar alguma coisa de ouvido. Parênteses: Meu contato com a música remonta a um semestre de piano na Escola de Belas Artes de Erechim, o qual foi inutil em termos práticos. Exatamente no semestre em que fui matriculado, a escola decidiu testar um "método norte-americano de ensino por clusters" - ou coisa parecida, ao invés do método de ensino clássico. Por algum motivo aquilo me pareceu idiota, e abandonei as aulas. (se alguém souber do que estou falando, por favor, refresque minha memória) Eu havia ganho um pequeno teclado Casio, com o qual me divertia bastante tentando tirar algumas melodias. Comecei então a ter aulas com um professor cego, que ensinava músicas conforme era requisitado. Tinha em seu estúdio diversas estantes com partituras em braile, de músicas que captava de ouvido e acumulava no seu acervo. Também tive apenas cerca de seis meses de aula. Voltando à 1997, "afinando" o violão de maneira aleatória e tentando tocar alguma coisa, fui convencido a formar uma banda com um vizinho e com dois outros amigos. Embarcamos para o Paraguai, sob protestos e perplexidade dos pais, e voltei com uma Fender Squier e uma pedaleira que custava mais que a própria guitarra. (As aventuras na fronteira e o desdobre nas autoridades alfandegárias aos 14 anos de idade são dignas de outro post.) Entretanto, a banda não vingou. Meu vizinho que tinha mais talento para negociatas que para qualquer instrumento, comprou uma bateria Mapex por R$ 1.100,00 e vendeu duas semanas depois por R$ 1.200,00. Comments: 17.4.06
Um parágrafo"Diante desses relatos desconcertantes e contraditórios, o doutor Willett ficou francamente sem saber o que fazer. Não era possível negar a desesperada intensidade do bilhete de Charles, contudo, o que pensar da imediata violação do compromisso assumido por seu próprio autor? O jovem Ward havia escrito que suas investigações haviam se tornado blasfemas e ameaçadoras, que estas e seu colega barbudo deviam ser eliminadas a todo custo e que ele próprio nunca mais voltaria àquele cenário; no entanto, segundo informações mais recentes, esquecera tudo isto e voltara a mergulhar no mistério mais impenetrável. O bom senso pedia que o jovem fosse deixado com suas extravagâncias, no entanto, um instinto mais profundo não permitia que a impressão provocada por aquela carta desvairada aplacasse. Willett a releu e não conseguia fazer com que sua essência soasse tão vazia e insana quanto seu palavrório bombástico e sua falta de cumprimento dos compromissos poderiam sugerir. Seu terror era demasiado profundo e real e, junto com aquilo que o médico já sabia, evocava sugestões demasiado vívidas de monstruosidade, além do tempo e espaço, para permitir uma explicação cínica. Horrores inomináveis estavam por toda parte e ainda que muito pouco fosse possível fazer para atingi-los, era preciso estar preparado para todo tipo de ação, a qualquer momento."H.P. Lovecraft - O Caso de Charles Dexter Ward Comments: 10.4.06
História Musical ParticularCap. 4 - "Alcançando o Nirvana"ou "Não achei título melhor que esse trocadilho ridículo" Já sendo necessário um flashback, a memória começa a trair-me. Mais ou menos na mesma época de tudo isso, emprestei um cd para minha colega de CCAA, Gianina. Seria o Smash? Não, comprei depois. Possivelmente o Brain Drain, do Ramones, que consegui não lembro exatamente como. Era usado, e tenho a impressão que peguei algum cd que minha irmã não ouvia mais - algo do tipo Malhação I -, e troquei pelo Ramones. Aliás, ótimo cd. Zero Zero UFO segue sendo minha música favorita da banda. O que importa é que, em troca, Gianina emprestou um cd com um nenezinho pelado na capa, sendo fisgado na água por um anzol com uma nota de um dólar. Aquele cd estava por toda parte, e era uma ótima capa. A colega informou: - A que eu mais gosto é a nove. - Tá.
Don´t tell me what I wanna hear Cheguei em casa, e foi aquilo. Não há muito o que dizer sobre o Nevermind, a não ser que trata-se de uma obra-prima, talvez insuperável. De cara, curti Polly, Stay Away, Territorial Pissings e Drain You. Não gostei muito de Smells Like Teen Spirit a princípio. Mas minha favorita, talvez por influência da indicação, acabou sendo "a nove", Lounge Act. Um barulho de moto (?) no começo, a frase do baixo, a guitarrinha tranqüila, o vocal falado, o "I´ll go round my way to prove they still smell her on you", a barulheira, o verso final com voz esganiçada, a pancadaria da bateria. Irretocável. Nirvana é uma das minhas bandas top 5, sem dúvida. Passou a febre e ficou. Claro, inicialmente o fato do "cara ter se matado" despertava ainda mais o interesse, Em seguida comprei o genial In Utero. Tinha um amigo que era das poucas pessoas com NET e MTV em casa. Sua maior relíquia, admirada por todos, era uma VHS com o clipe de Heart-Shaped Box gravado pela metade, da hora em que a mulher gorda pintada levanta os braços para uma árvore (bah). Além disso, inúmeros especiais sobre o Nirvana, esses que são reprisados todo carnaval pela MTV. São reprisados, eu tenho gravado, e eu não consigo deixar de assistir até o final, quando passam. A movimentação entre os amigos era grande: video cassetes conectados, fitas sendo copiadas em EP. Tinha de tudo, Fúria´s MTV na íntegra, clipes aleatórios (dos quais o principal destaque era, obviamente, "Song 2" do Blur), mas sobretudo muito clipes, shows e matérias do Nirvana. E do Metallica. Mas isto merece um capítulo à parte. Behold! E escutem Nirvana, sempre. Quem não gosta, boa pessoa não é. Escrevi muita coisa, transtornado com dezenas de músicas absolutamente geniais dos caras. Apaguei tudo, porque não há porque repetir o que já é dito há anos. Mas percebo também que é dessa época que vem mais uma peculiaridade do meu gosto musical: meu profundo gosto por estas letras caóticas e aparentemente sem sentido. A princípio, acho qualquer letra completamente secundária ao som. Senão, não ouviria metal. Teenage angst has paid off well, now I´m bored and old. Self appointed judges judge more than they have sold. Mas lembro de uma entrevista do Cobain ironizando as interpretações trabalhadas de suas letras, especificamente desta aí, "Serve the Servants": - A primeiro verso não tem nenhuma relação com o segundo. A letra não faz nenhum sentido. Feito. Comments: 3.4.06
História Musical ParticularCap. 3 - "A Voz da Loucura" ou "A Descoberta da Verdade"Eventualmente, invadi a locadora e apossei-me de "Nativity in Black - A Tribute to Black Sabbath". À primeira audição fiquei completamente emocionado. A versão do Megadeth para "Paranoid" é uma obra prima, assim como "War Pigs" ao vivo pelo Faith no More, "After Forever" com o Biohazard e "Children of the Grave", quatro tons abaixo, tocada pelo White Zombie. E a versão "from the devil´s point of view" com doze minutos de "Black Sabbath" interpretada por Type O Negative também impressiona. Ainda assim não entendia muito o que estava acontecendo. Achava que os espetaculares rolos de Igor Cavalera na versão de "Symphtom of the Universe" do Sepultura eram erros de tempo do baterista. E acima de tudo: não havia percebido que aquilo não era Black Sabbath, eram outras bandas tocando suas músicas.
Ao perceber isso, rumei para a locadora e aluguei uma coleção de três discos denominada "Black Sabbath - The Ozzy Osbourne Years". Fiquei bastante transtornado com o que ouvi. A cadência das músicas era diferente das do Tribute. Acima de tudo, tive a certeza de que os instrumentos foram gravados dentro de uma caverna onde são feitos sacrifícios humanos. O que mais me chamava a atenção, era o vocal alto, cheio de eco e com um timbre, sinceramente, assustador. Não sei se eram as histórias que eu ouvia a respeito da banda - ou o "my name is Lucifer, please take my hand" no meio de "N.I.B." que eu conheci na versão paulada do Ugly Kid Joe -, mas a voz do Black Sabbath original me assustava. Parecia que o dono daquela voz era um pregador lunático blasfemando. Ozzy Osbourne era o nome dele, e não sei se eu estava errado. Recorri a Rodinaldo: - Cara, aluguei uns cds do Black originais, mas acho que estão com problema. "Paranoid" parece lenta comparada ao Tributo, e o vocal é meio louco. - Sim, é isso mesmo. Comprei os três cds da locadora, já usados e com várias músicas riscadas. Ainda estão por aqui, mais como relíquias. É uma coleção produzida na Inglaterra, tenho a impressão que não constam no catálogo oficial da banda. Tinha um amigo, apelidado Tekatése (por causa de uma camiseta da marca TKTS), completamente alucinado por Ozzy, Sabbath e Cindy Lauper. Emprestou-me o Masters of Reality e o Paranoid. Tentou me empurrar o "Hat Full of Stars" da Cindy, mas não dei muita atenção. Baseado na mesma lógica que transformou a "onça pintada", número 88 do álbum "Ping-Pong Pantanal", na figurinha mais rara da coleção, chegamos a uma conclusão meio primária: o álbum "Black Sabbath Vol. 4" era uma relíquia. Nunca havíamos visto aquele disco em lojas, e provavelmente havia um motivo para isso. Depois de muito economizar, rumei para uma loja e pedi o dito cujo. - Vou ter que encomendar de São Paulo. É importado. - OK. Após duas semanas de constantes visitas à loja, o cd chegou. Era realmente importado, e o Ozzy vibrando na capa refletia meu estado de espírito.
A verdade é que eu poderia passar dias tentando descrever a dominação que ouvir Black Sabbath exerceu, e e exerce desde então sobre meu espírito. Nunca tinha visto a cara dos membros da banda, e um dia aluguei um VHS - "The History of Black Sabbath Vol.1". O vídeo começa com uma apresentação de 1970 em um clube escuro Paris, e com imagens meio amadoras, só uma câmera, dando zoom pra lá e pra cá. Soa repetitivo, mas lá vai: fiquei ainda mais assustado com tudo. Ozzy absolutamente enlouquecido, cantando "N.I.B" e "War Pigs" com letras diferentes das que foram gravadas e Tony Iommi com sua SG e os excessos das cordas acima do braço refletindo contra a luz. Eu e alguns amigos percebemos, sem sombra de dúvida, um momento em que os olhos de Tony Iommi ficam vermelhos durante um solo, demonstrando claramente a sua possessão pelo demônio. Gosto de todos os discos do Sabbath, com todos os vocalistas. Pessoas de bom gosto gostam apenas da fase Ozzy, metaleiros apreciam a fase Dio. Fãs incondicionais gostam até das baladas com o vocal de Tony Martin. Fazer o que, deve ser a maldição. Melhor encerrar este importante capítulo por aqui. Acrescento que, desde então, todo o mundo musical passou a ser dividido por mim entre "Black Sabbath" e "resto". Comments: |