[in the box] Malleus Maleficarum para iniciantes.

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30.3.06

História Musical Particular

Cap. 2 - "No início era o Smash" ou "O Profeta Rodinaldo"

Exatamente a falta de sincronia com o mundo, fez com que "Basket Case" do Green Day tocasse incessantemente na rádio durante o final de 95 e o início de 96. Me parece que o disco Dookie é de 1994. Basket Case é uma música sensacional, e depois de muitas promessas, meu colega Cadeco foi na loja Saci e comprou o cd. R$ 17, algo assim. Meu som não tocava cd. Perguntei para atendente pela fita cassete.

- Ainda não chegou, respondeu.

Ingenuamente esperei a fita por alguns dias, mas obviamente ela nunca chegou. Na época, fitas cassete originais já eram raras. As poucas que existiam eram pirataria das toscas. Nesse meio tempo, ganhei um som com cd player. No início das aulas, fiz amizade com Rodinaldo, um skatista reconhecido na região. Mencionei o Dookie.

- Green Day? Palha. Offspring é muito mais afudê.
(sim, ele falava "afudê" em Erechim, 1996)
- É mesmo?
- Garanto.



Semanas depois, me emprestou a fita gravada com o disco Smash.
E era. Muito mais "afudê".
O disco inteiro, ainda um dos meus preferidos.
Come out and Play, Bad Habit, Youth Energy, Genocide, todas. Todas.
Um ano e pouco depois, o Offspring lançou o "Ixnay on the Hombre", e mais uma das idiossincrasias da minha vida musical tomou forma: só consigo gostar de um disco uns dois anos depois de seu lançamento. Tudo que recém saiu do forno, recebo com desconfiança. Não devo ser o único. De qualquer forma, hoje em dia considero o Ixnay quase tão bom quanto o Smash. Ressalto o "quase".

Rodinaldo me influenciou bastante. Criei uma rotina semanal de locar cds e compras k7s virgens para gravá-los, tudo a rodo. Conheci dezenas de bandas num curto espaço de tempo, mas meus critérios ainda eram praticamente inexistentes. Gravei de tudo: Slayer, Black Train Jack, Sepultura, Pennywise, Jethro Tull, Bad Religion.

Troquei com meu colega uma fita do Undisputted Attitude do Slayer pelo empréstimo de quatro cds do Iron Maiden: o Iron Maiden, o Killers, e o A Real Live One. O quarto não chegou a ser emprestado, pelo que lembro.
A saga metaleira estava a caminho.

Simultaneamente, meu grupo de amigos "de bairro", diferente dos da escola, estava antenados ao pi-pa-pa-pa-ro-po. Top Surprise e as Sete Melhores da Jovem Pan eram o caminho. Fui até a HM e comprei duas fitas. TV Dance e "X Factor" do Iron Maiden (escrito Maide"m" na capinha pirata). Mas dentro do círculo de amigos, o rock também já começava a predominar. Entre os empréstimos interpessoais estavam o primeiro cd do Foo Fighters, de 1995, alguns do Iron Maiden, Guns and Roses e outros dois: "The Best of Black Sabbath" e "Nativity in Black - A Tribute to Black Sabbath".
"Black Sabbath" - que nome assustador, pensava eu.


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29.3.06

carona brasileiro arruína missão espacial

Tentando escapar de Santos X Bragantino, sou surpreendido ao ver a interrupção de Debi e Lóide no SBT para a transmissão do lançamento da nave espacial que leva um estadunidense, um russo e o primeiro brasileiro para o espaço.

Foram menos de dez minutos de transmissão, mas o bombardeio de informações sensacionais me comoveu. A princípio só apareciam o russo e o norte-americano, com pranchetas e observando instrumentos. Minutos depois, o russo aciona um comando com uma espécie de bengala e surge a visão de outra câmara, mostrando o brasileiro num canto, comemorando, acenando e mostrando a bandeira do Brasil no braço.

Simultaneamente, o narrador apontava que entre as coisas carregadas para o espaço pelo paulista, estavam 6 experimentos de instituições públicas, 2 de escolas de ensino médio, uma bandeira do Brasil, uma bola verde e amarela, uma camiseta da seleção e, obviamente, uma réplica do chapéu usado por Santos Dumont. Entendi rapidamente porque o brasileiro voltará daqui a alguns dias, enquanto os outros dois passarão seis meses em órbita.

Serenamente, o russo demonstrou ser o melhor de todos, mantendo a carranca durante todo o tempo em que seu objeto levado para o espaço, um pequeno urso polar pendurado sobre sua cabeça - representando sua "terra natal logo abaixo do Ártico, segundo a narração" -, sacolejava a 5 mil milhas por hora. Voltará do espaço com um romance de 700 páginas sobre a alma.

Ainda bem que o brasileiro não é gaúcho, senão seria realmente insuportável. Em dois meses, uma produção com verba pública de incentivo à cultura traria Werner Schunemann no papel de desbravador do cosmos. Marcos Breda seria o americano e Zé Victor Castiel seria o russo, naturalmente.


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28.3.06

História Musical Particular

Introdução e Advertência

Inspirado no exemplo do Triple E (Eduardo Enciclopedic Egs, que recentemente me prometeu uma coletânea de gangsta rap a ser nomeada "rapper bom é rapper morto"), utilizarei alguns posts para falar de música.

Tenho a idéia de traçar minha história musical particular - esta cruzada que todos empreendem, dando maior ou menor importância. Normalmente ela é iniciada quando, no papel de inocente transeunte, a pessoa (criança ou pré-adolescente, acredito que não depois disso) fica assustada com capacidade que uma música escutada acidentalmente tem de transformar completamente o seu humor, o seu dia, o seu caráter.

É isso. Amante da música que sou, contarei como fui conhecendo cada banda, cada disco, cada som que, querendo ou não, mudou minha vida. Certamente será mais divertido para mim que para qualquer eventual leitor.


Capítulo 1 - Antecedentes e Adendo à Advertência

Seria mentira afirmar que os antecedentes simplesmente não existem.
Meu pai é grande fã de música sertaneja. Lá por casa, ainda anda uma pilha de LPs de Tonico e Tinoco, Sertanejo 85, Chitãozinho e Xororó.
Sendo assim, minha primeira grande influência foi a música sertaneja. Lembro claramente ter decorado toda a letra de "É o amor", de Zezé de Camargo e Luciano. Mas os únicos LPs que comprei na época foram o da novela "Carrossel" e o "Tributo a um Campeão", que homenageava o Ayrton Senna.

Minha irmã, oito anos mais velha que eu, costumava ouvir as músicas da hora, trilhas de novela, Dominó, etc. Eu considerava seu gosto duvidoso, provavelmente apenas pra discordar.
Fato é que eu não sabia absolutamente nada de nada. Lembro claramente de uma tarde de 94, eu chegando na aula (6a série) e meu colega Michael lamentando a morte de um tal Kurt Cobain.

- Quem é Kurt Cobain?
- O vocalista do Nirvana. É muito massa.
- Não conheço. Mas o foda é essa história que a vocalista do "fóronblons" morreu...

Eu me referia aos boatos totalmente sem fundamento acerca da suposta morte da vocalista do 4-non-blondes. Não sei aonde minha irmã ouviu isso, mas eu achava "What´s Up" uma ótima música. Nesta mesma época, meu colega Nelson emprestou-me uma fita gravada com a trilha da novela "A Viagem". Consta que eu não conseguia parar de murmurar a melodia de "Linger", dos Cranberries. Possivelmente esta tenha sido a primeira música que não saiu da minha cabeça por um bom tempo.

Vale lembrar que em Erechim não existia MTV em 1994. Não sei daonde vinham as informações da única rádio FM da cidade na época, mas percebo hoje que muitos hits chegavam atrasados por lá, e a sincronia com o que é "hype" no resto do mundo era pouca.
A prioridade é cronológica, mas conforme vou relembrando, farei flashbacks e erratas em caso de traição da memória.


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22.3.06

to north pole

Marche!


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da série "meus amigos são gênios"

- tá ganhando bem?
- não muito.
- e as perspectivas?
- cara, não me importo com o dinheiro, mas vou reduzir minha carga horária até eu achar condizente com o que ganho.


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6.3.06

voltei, e trago novidades

=
Joaquin Phoenix é Christian Vieri


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