[in the box] Malleus Maleficarum para iniciantes.

convênios:

dying days
explodingdog
sabotagem
cove
insanus
impedimento
F1 rejects
basta de estopa
the streaker
carcamano
conjunto comercial

17.8.06

nova escuderia
momento luca badoer*

De fato, os rumores são verídicos. Meus aforismos em reverb estão de casa nova, em www.insanus.org/inthebox.



Todos sabem, tem muita gente boa no Insanus, além do Impedimento, que já estava por lá.
Ainda não sei porque me chamaram.

Agradeço a Roberto Marinho pela oportunidade de usar a estrutura da Globo.
Aos leitores que costumavam vir aqui, obrigado. Se quiserem, passem no novo endereço.
Aproveitem enquanto ainda é de graça. (ironia detectada, auto-destruição em 30 segundos)
Para finalizar os trabalhos com chave de ouro, o último momento Luca Badoer nos servidores blogger.com.br

Keep rocking.

(*) the driver with the most number of F1 races without scoring a single point.


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4.7.06

lançamento




Gregório de Mattos
Spelling Doom

EP (2006)

1 - Catequese [2:14]
2 - Kotov (Spelling Doom) [9:54]
3 - Presidência-Máquina [0:19]
4 - Frudiger (Pakula´s Necrosed Heart) [3:41]

Bonus Tracks (Live in Charqueadas):

5 - Burn My Father [10:33]
6 - Mário Quintana Empalado (Impaled Grandpa alt. lyrics) [3:12]
7 - Don´t Let Daddy Kiss me (Motorhead Cover) [4:33]


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25.6.06

resolução #012/06




torcer para Portugal na Copa do Mundo


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18.6.06

História Musical Particular

Nova Advertência

Esta "História Musical Particular" teve seus bons momentos, mas é melhor parar por aqui. Inicialmente, cogitei falar sobre mais algumas coisas, mas simplificar é melhor. Talvez em outra hora, lembrarei discos e bandas que me foram importantes isoladamente, e com isso evito qualquer injustiça.
Assim, caros amigos, fiquem com o último capítulo da série.
Talvez o mais importante e, sem dúvida, o mais extenso.


Cap. 9 - "If I would, could you?" ou
"Eu sei o que vocês fizeram na década passada"


Final dos anos noventa. Mesmo dominado pelo metal, este que vos fala conhecia Nirvana, alguns hits do Pearl Jam, Blackhole Sun do Soundgarden, Plush do Stone Temple Pilots e Man in the Box do Alice in Chains. Então, se a onda de Seattle acabou com o mundo alguns anos antes, o tsunami chegou a mim com certo atraso. Mas ainda de maneira devastadora.

Por onde começar? Talvez dizendo que ao ouvir o "Ten" do Pearl Jam, eu pensava tratar-se de uma coletânea de dez anos da banda, tamanha a qualidade do apanhado de músicas. Para os desavisados, Ten é o album de estréia da banda. Mas o disco que fez toda a diferença foi o "Facelift" do Alice in Chains. Comprei por 10 pilas na Multisom, logo que vim morar em Porto Alegre. "Man in the box" é, provavelmente, a música que mais ouvi na minha vida. Não se enganem, o disco inteiro é genial.

Logo nos primeiros meses de faculdade, o londrino Francisco emprestou-me um combo absurdo de discos, uma espécie de técnica Ludovico de introdução ao grunge (I was cured, all right).

- Unplugged, Jar of Flies (Alice in Chains)
- Badmotorfinger, Superunknown, Down on the Upside (Soundgarden)
- Mookie & Blaylock (duplo ao vivo do Pearl Jam)

Além disso, o documentário Hype. Algo comparável àquele filme "Woodstock", transposto para a década de 90 com melhores músicas, mais higiene, e o melhor: sem hippies. Apesar disso, não é nada de mais, só coisa de fã mesmo. Lembro de uma frase do imbecil que ilustra a capa do vídeo:

idiota com dois tubos no nariz: Tenho vontade de cuspir em todas estas pessoas que vêm aos shows agora...
repórter: Por que?
idiota com dois tubos no nariz: Porque eu gostava destas bandas antes de todos.

Sem esquecer do ótimo Singles, e sua incomparável trilha sonora.

Fato é que, alguns anos depois de toda a "Seattle thing", começamos a perceber que as bandas de lá tinham muito pouco em comum, a não ser o fato de serem de Seattle. E nem todas eram.

>>>blow up the outside world

Comparar o som de Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden e Alice in Chains (para ficar com as quatro mais famosas) não faz o menor sentido. Em determinado momento cheguei a uma conclusão tosca, que define os dois últimos discos do Soundgarden (Superunknown e Down on the Upside) como uma espécie de síntese entre o "punk Mudhoney" do Nirvana, o "metal Sabbath" do Alice in Chains e o "rock Neil Young" do Pearl Jam. Ainda assim, qualquer comparação é descabida. Esqueçam este parágrafo.

>>>torn like an old, dollar bill...

Gosto muito também de Screaming Trees. Seu disco "Sweet Oblivion" é um dos melhores de toda esta turma. Stone Temple Pilots entra neste post, mesmo sendo de Los Angeles ("Interstate Love Song", talvez a segunda música que mais escutei). Mad Season, o dream-team grunge de um só cd também é fundamental. E esquecer Mudhoney seria heresia. Bush e Silverchair, de outros continentes e tardiamente, ficam ali na estante também.

Behold!, meus caros.
Em momentos de laconismo, respondo à pergunta "que som tu curte?" com um simples "grunge + Black Sabbath". Assim, estou muito próximo da verdade.

>>>yeah, it´s over now...

De fato, não tenho grande interesse por novidades musicais.
Priorizar o grunge no gosto musical torna tudo mais fácil.
Quase todas as bandas acabaram, a maioria dos caras morreram.
Ok, tem o Pearl Jam por aí, além do Jerry Cantrell e do Mudhoney, mas nada que fuja ao controle. O Dave Grohl é uma boa pessoa, mas Foo Fighters não se enquadra aqui. É melhor assim. Não me preocupo muito com Artic Monkeys, e todos estes nomes no plural, "The ???????s".

[momento "Amnésia"]
- que som tu curte?
Como resposta, tira-se do bolso uma Polaroid escrita "Seattle 1991-1997".
[/momento "Amnésia"]

Mesmo com 23 anos, chamo isso de envelhecimento sadio.
Como li em algum lugar, há tempos:



Já é difícil moshar quando se ganha mais de $40 mil por ano.



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3.6.06

História Musical Particular

Cap. 8 - "Los Hermanos é um saco" ou "The Mighty Ride of the Firelord"

O dever moral de prosseguir minha história fala mais alto, e chegou a vez de convencer todos a ouvir metal melódico.

Na metade do terceiro ano, em 1999, fui até Londrina fazer vestibular para Medicina na Universidade Estadual da Cidade (UEL). Foram apenas 6 ou 7 alunos de minha escola, que encarregou-se de arranjar alojamento em seus contatos anglicanos na cidade. Aliás, a melhor cidade que já conheci. Rica, bonita, organizada, muitas mulheres, 25% delas descendentes de japoneses.

Fato é que na mesma pousada, um vestibulando de Foz do Iguaçú possuía boas mercadorias: cds piratas, ou gravados (tudo isso era novidade) trazidos da fronteira. Entre eles, um do Gammaray e outro do Rhapsody.

Eu já era conhecedor de Helloween e Angra, as ramificações seguintes ao "galho" do Iron Maiden na grande árvore do rock and roll (rá!). A admiração inicial por este tipo de banda, em geral, acontece pelo choque ao se perceber até onde a técnica dos instrumentistas pode chegar. Por isso, quem gosta de metal melódico (power metal, symphonic metal, metal progressivo, bla bla bla), normalmente também toca algum instrumento.

Assim, voltei para Erechim sem passar na UEL (146,2 por vaga), mas com "Symphony of the Enchanted Lands", do Rhapsody, além de uma fita gravada com Gammaray, Savatage, Helloween, e até MANOWAR (era só uma música instrumental: "today is a good day to die"). Todos ficavam mesmerizados com a velocidade dos pedais duplos, arpeggios, e tudo mais.




Em geral, a maior parte do preconceito com estas bandas de metal seria totalmente dissipado caso todos percebessem que, em geral, os metaleiros estão aí só para se divertir. Ninguém, ou poucos, acham realmente que dragões existiram, e não conheço ninguém que tenha feito pacto com o demônio. Ok, só um cara. Mas não é o caso, e isso já vai mais para o outro lado da "árvore" (trash -> death -> black metal).

Metal melódico é o caminho. Convenci um colega de faculdade, cuja banda preferida era Graforréia Xilarmônica, a ser admirador do Rhapsody - o que prova que não há incompatibilidade. A banda tem músicas espetaculares: "Flames of Revenge", "Esmerald Sword", "Dawn of Victory". Ou mesmo "GARGOYLES, Angels of Darkness", que não lembro como é, mas tem um ótimo nome.

A lista de indicações é longa, mas Helloween deve ser um caminho facilmente assimilado, com discos como "Time of the Oath" e "Better than Raw. Vou praticar uma heresia ao colocar muita coisa diferente no mesmo saco, mas: Gammaray, Dream Theater, Angra, Symphony X, Vision Divine, Lacuna Coil, são todas ótimas bandas. Enjoei de Nightwish rapidamente, assim como de Stratovarius, por perceber a picaretagem das bandas em encontrar uma fórmula e repeti-la preguiçosamente. No Brasil, existem diversos grupos excelentes, que acabam fazendo mais sucesso no exterior que aqui dentro. Além do Angra, posso citar Symbols, Wizards, Hibria (aqui de Porto Alegre) e Akashic (de Caxias do Sul).

Em Londrina, fui em uma festa aonde todos os caras usavam chapéu de cowboy. Corri sério perigo, pois na tarde daquele mesmo dia, cogitei comprar uma camiseta que dizia "Fuck The Cowboys". Apenas por diversão, e sem conhecimento algum de onde eu estaria me metendo.
Como sempre, aliás.


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10.5.06

História Musical Particular

Cap. 7 - "Nothing Else Matters" ou "O Segredo de Tombstone"

O primeiro album do Metallica que conheci foi Ride the Lightning. Virei fã de imediato, e desconhecia completamente os hits radiofônicos do Black Album de 1991. Esta é a peculiaridade acerca de minha relação com o Metallica: conheci os albuns de maneira cronológica, virei fã incondicional e acompanhei a evolução/amadurecimento da banda. Em outras palavras, desde o estágio "bata sua cabeça no palco até sangrar" até o "fume charutos ouvindo country". E isso é literal, veja a letra de Whiplash:



bang your head against the stage like you never did before!
Make it ring, Make it bleed, Make it really sore!


Os três discos intermediários do Metallica são indiscutíveis paradigmas do trash-metal: Ride The Lightning, Master of Puppets e o And Justice for All. Soberbos, meus preferidos.

Músicas destes discos compunham 90% do repertório da Tombstone, promissora banda que montamos no segundo semestre de 1999 em Erechim. Lamentavelmente, no início de 2000, o baterista foi estudar economia em Florianópolis e o guitarrista (eu), veio parar em Porto Alegre, num lugar chamado "Fabico".

A Tombstone nunca chegou a fazer show algum. O primeiro (e já sabíamos, o único) seria realizado na "Coco Bongo", casa noturna de Erechim. Quebraríamos tudo. Infelizmente, na tarde da sexta-feira, meu telefone tocou e fui informado que o "promoter" do evento havia fugido da cidade e era procurado pela Polícia Federal.

De volta ao Metallica.
Obviamente fui arrebatado pelo Black Album assim que o conheci. Tal disco, provavelmente o mais importante dos anos 90 ao lado de Nevermind, com hits como Enter Sandman e The Unforgiven está acima de qualquer suspeita. Mas falar isso não é novidade alguma.

Toda a questão remete a 1995, quando os caras apareceram de maquiagem, cabelo curto e músicas sem nenhum relação com as anteriores. Foi o lançamento do disco Load. A maior parte de meus amigos cortou definitivamente relações com a banda.

Vi Jason Newsted (baixista) em uma entrevista, afirmando que o disco seria assimilado pelos fãs com o tempo. Comprei o cd de uma colega minha e, após um tempo, entendi tudo: era uma outra banda. Inclusive a troca de logotipo, não era por acaso.

E virei grande fã deste novo Metallica. Porra, os caras estão mais velhos, não têm mais paciência para ficar batendo no "Mi" da guitarra 12 vezes por segundo, demolindo a bateria com tanto pedal duplo e fazendo quatro solos por música (apesar de eu ainda gostar de tudo isso). "Ronnie", faixa 13 do Load, exemplifica bem o que a banda entendia como evolução. Assim, pela primeira vez notei que meus critérios estavam tomando forma. Minha "personalidade" musical, pode-se dizer, cresceu junto com o Metallica.


I´m digging my way to something better

Reload, de 1997, é um disco inferior ao Load, mas ainda muito bom. Músicas como Fixxxer e Fuel valem o disco. O Garage Days de 1999 é uma ótima coletânea de covers da banda: um disco só com gravações dos anos 80, sobretudo Motorhead e Misfits; o outro, gravado na época do lançamento, homenageava desde Black Sabbath até Nick Cave.

Na turnê do Garage Days, o Metallica passou por Porto Alegre. Dois ônibus vieram de Erechim para o show - eu em um deles. Não me importei ao passar nove horas em chamas na fila. Até hoje lembro do set-list com certa precisão. Aliás, mesmo tendo horas de gravações com shows da banda, desconheço set-list melhor que o executado em Porto Alegre. Os acordes iniciais de "Fight Fire With Fire" exorcizaram o jóquei clube, que semanas antes havia sido poluído pelo lixo sonoro na reunião picareta dos mascarados do Kiss.

Fiquei decepcionado em 2001 com o Metallica. Após a saída de Jason Newsted, a banda parece ter esquecido que não precisam provar nada pra ninguém, e tentaram lançar um disco "tão pesado quanto antes". Não me atrevo a dizer que o St. Anger é ruim, pois posso me arrepender. Desnecessário, talvez seja a palavra certa.


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29.4.06

matchpoint

Woody Allen leu mal Dostoievski.


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27.4.06

uma baixa no elenco

Zé Victor Castiel não gostou de meu post acerca da corrida espacial brasileira. Abaixo, o email que recebi e a réplica:


"Lendo a manifestação abaixo cumpre ressaltar: realmente se o brasileiro fosse gaúcho seria insuportável ( a história dos caranguejos lembra??).
Quanto à referência de verbas públicas ou obtidas por lei de incentivo, me disponho a conversar com você a razão pela qual sempre fui ABSOLUTAMENTE CONTRA.
Não caia em armadilhas de disse-me-disse. Acho até engraçado.
Amigo, se informe melhor. Eu NUNCA utilizei verba pública para nenhum de meus projetos. NUNCA. Sempre paguei minhas produções, sejam individuais ou coletivas com dinheiro da iniciativa privada ou com dinheiro de bilheteria (muitas vezes bancando prejuízos com o meu próprio dinheiro).
Quanto à Lei de Incentivos, por ser radicalmente contra a renúncia fiscal de empresas para apoio à cultura, NUNCA tive um projeto sequer inscrito em Leis de Incentivo, sejam elas estaduais (LIC), Municipais (FUNPROARTE) ou Federais (Rouanet).
Assim, informe-se antes de difamar quem você não conhece. Meu nome não consta como recebedor de verba pública em NENHUM órgão público.
Quanto ao Werner ou ao Breda, não posso te informar, mas estou encaminhando seus comentários para eles também.
Quanto à mim, posso garantir.

Fico à disposição
Zé Victor Castiel"




Resposta:


Olá Zé Victor

Lamento se meu post lhe causou algum transtorno, não era a intenção.
Quanto ao assunto "verbas públicas de incentivo à cultura", não estou fazendo nenhuma acusação, como está bem claro. Sequer é o assunto do post. Nem sei como estes mecanismos de incentivo funcionam e, na verdade, não tenho interesse em saber.

O parágrafo final tem apenas a intenção de apontar um certo bairrismo, um certo "gaúcho é melhor em tudo" que refletiria na produção de um filme nos moldes de "Neto perde sua Alma". A referência a nomes, entre eles o teu, não tem nenhuma relação com isso, apenas enumera atores gaúchos que são referências nas produções locais - o que imagino ser motivo de orgulho para os mesmos.

Não tenho a intenção de emular Diogo Mainardi, se é o que imaginas.
(sei que ele não tem grande admiração entre o pessoal do cinema daqui)
Não tenho a pretensão sequer de ser lido, meu blog é visitado apenas por um punhado de amigos.

qualquer coisa, estou à disposição
um abraço
Antenor



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24.4.06

História Musical Particular

Cap. 666 - O solo mais bonito de todos os tempos

Como mencionei anteriormente, entre os cds emprestados circulavam títulos do Iron Maiden. Para um adolescente disposto a encarar qualquer tipo de barulheira, com o objetivo final de ter um gosto musical peculiar e "diferente da maioria", a boa vontade com as bandas era grande.

Ouvir o Roots do Sepultura, ou o Reing in Blood do Slayer inicialmente não faz sentido algum. Percebe-se que não há mais volta quando o que inicialmente era barulho transforma-se em algo capaz de arrepiar os poucos pêlos do braço de um púbere.

E Iron Maiden, definitivamente, não é algo difícil de ser assimilado. Qualificado hoje em dia como "heavy metal tradicional", mas sendo claramente a principal influência para o "metal melódico" ou para o "power metal", o Iron é a grande banda do que se costuma chamar New Wave Of British Heavy Metal, ou NWOBHM. Escrevi este parágrafo apenas para citar esta sigla, que sempre me pareceu um grande disparate. Mas mencione a mesma para qualquer headbanger, e ele vai saber do que se trata.

A verdade é que não é fácil fazer alguém ouvir Iron Maiden. Mas, uma vez arrebanhado, é impossível fazer alguém deixar de gostar da banda.

Tudo ficou bastante claro quando escutei "Live After Death", show de 1985, gravado em Long Beach. Ainda hoje, considero o melhor disco ao vivo de todos os tempos. Qualidade garantida pelo discurso de Winston Churchill na introdução de Aces High.


"Long Beach Arena, Scream For Me!!!"

Mas Afraid to Shoot Strangers é o nome da faixa 7 de outro disco ao vivo, o "A Real Live One". Inicialmente, a levada tediosa pode desanimar qualquer ouvinte, mas quando Bruce Dickinson encerra o verso "no trust, no reasoning, no more to say", começa o dueto de guitarras que convencionamos chamar de "o solo mais bonito do mundo". Impossível passar incólume após ouvi-lo.


"Scream for me Helsinki!!!" - "Scream for me Lausanne!!!"

No meu projeto de médio prazo, de transformar todos os meus amigos em metaleiros, é fundamental a presença de Iron Maiden. Para começar, escute "A Real Dead One" e "A Real Live One", ambos discos ao vivo, com faixas gravadas em diversas cidades da Europa durante a turnê de despedida de Dickinson. O primeiro contempla músicas dos primeiros discos da banda, até o Powerslave, enquanto o segundo coleciona hits do Somewhere in Time até o Fear of The Dark.

Ou faça como eu, escute o Live After Death.
Mas não diga que não avisei.


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História Musical Particular

Cap 5 - Nova Advertência

Em 1997, a NET chegou nas imediações de casa, e isso só significava uma coisa para mim: MTV. A partir daí, eu gravava de tudo, e os critérios melhoraram só com o passar dos anos e com a decadência no interesse em gastar 6 reais para comprar VHS virgem. A significativa coleção de videos que ainda tenho por aqui remonta desta época e, no auge do tédio, a melhor saída é o infindável trabalho de catalogar tudo que está gravado em cada uma.

Também por volta desta época, amigos meus formaram uma banda. Nirvana, Silverchair e coisas não tão difíceis tecnicamente eram a base do repertório, e a febre por aprender a tocar um intrumento se alastrou rapidamente pelo círculo de amizade.

Inicialmente pensei em tocar baixo. Consegui um violão emprestado de uma vizinha e tentava tirar alguma coisa de ouvido.

Parênteses:
Meu contato com a música remonta a um semestre de piano na Escola de Belas Artes de Erechim, o qual foi inutil em termos práticos. Exatamente no semestre em que fui matriculado, a escola decidiu testar um "método norte-americano de ensino por clusters" - ou coisa parecida, ao invés do método de ensino clássico. Por algum motivo aquilo me pareceu idiota, e abandonei as aulas. (se alguém souber do que estou falando, por favor, refresque minha memória)

Eu havia ganho um pequeno teclado Casio, com o qual me divertia bastante tentando tirar algumas melodias. Comecei então a ter aulas com um professor cego, que ensinava músicas conforme era requisitado. Tinha em seu estúdio diversas estantes com partituras em braile, de músicas que captava de ouvido e acumulava no seu acervo. Também tive apenas cerca de seis meses de aula.

Voltando à 1997, "afinando" o violão de maneira aleatória e tentando tocar alguma coisa, fui convencido a formar uma banda com um vizinho e com dois outros amigos. Embarcamos para o Paraguai, sob protestos e perplexidade dos pais, e voltei com uma Fender Squier e uma pedaleira que custava mais que a própria guitarra. (As aventuras na fronteira e o desdobre nas autoridades alfandegárias aos 14 anos de idade são dignas de outro post.)

Entretanto, a banda não vingou. Meu vizinho que tinha mais talento para negociatas que para qualquer instrumento, comprou uma bateria Mapex por R$ 1.100,00 e vendeu duas semanas depois por R$ 1.200,00.


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17.4.06

Um parágrafo

"Diante desses relatos desconcertantes e contraditórios, o doutor Willett ficou francamente sem saber o que fazer. Não era possível negar a desesperada intensidade do bilhete de Charles, contudo, o que pensar da imediata violação do compromisso assumido por seu próprio autor? O jovem Ward havia escrito que suas investigações haviam se tornado blasfemas e ameaçadoras, que estas e seu colega barbudo deviam ser eliminadas a todo custo e que ele próprio nunca mais voltaria àquele cenário; no entanto, segundo informações mais recentes, esquecera tudo isto e voltara a mergulhar no mistério mais impenetrável. O bom senso pedia que o jovem fosse deixado com suas extravagâncias, no entanto, um instinto mais profundo não permitia que a impressão provocada por aquela carta desvairada aplacasse. Willett a releu e não conseguia fazer com que sua essência soasse tão vazia e insana quanto seu palavrório bombástico e sua falta de cumprimento dos compromissos poderiam sugerir. Seu terror era demasiado profundo e real e, junto com aquilo que o médico já sabia, evocava sugestões demasiado vívidas de monstruosidade, além do tempo e espaço, para permitir uma explicação cínica. Horrores inomináveis estavam por toda parte e ainda que muito pouco fosse possível fazer para atingi-los, era preciso estar preparado para todo tipo de ação, a qualquer momento."

H.P. Lovecraft - O Caso de Charles Dexter Ward


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10.4.06

História Musical Particular

Cap. 4 - "Alcançando o Nirvana"
ou "Não achei título melhor que esse trocadilho ridículo"


Já sendo necessário um flashback, a memória começa a trair-me.
Mais ou menos na mesma época de tudo isso, emprestei um cd para minha colega de CCAA, Gianina. Seria o Smash? Não, comprei depois. Possivelmente o Brain Drain, do Ramones, que consegui não lembro exatamente como. Era usado, e tenho a impressão que peguei algum cd que minha irmã não ouvia mais - algo do tipo Malhação I -, e troquei pelo Ramones. Aliás, ótimo cd. Zero Zero UFO segue sendo minha música favorita da banda.

O que importa é que, em troca, Gianina emprestou um cd com um nenezinho pelado na capa, sendo fisgado na água por um anzol com uma nota de um dólar. Aquele cd estava por toda parte, e era uma ótima capa. A colega informou:

- A que eu mais gosto é a nove.
- Tá.


Don´t tell me what I wanna hear

Cheguei em casa, e foi aquilo. Não há muito o que dizer sobre o Nevermind, a não ser que trata-se de uma obra-prima, talvez insuperável. De cara, curti Polly, Stay Away, Territorial Pissings e Drain You. Não gostei muito de Smells Like Teen Spirit a princípio. Mas minha favorita, talvez por influência da indicação, acabou sendo "a nove", Lounge Act.

Um barulho de moto (?) no começo, a frase do baixo, a guitarrinha tranqüila, o vocal falado, o "I´ll go round my way to prove they still smell her on you", a barulheira, o verso final com voz esganiçada, a pancadaria da bateria. Irretocável.

Nirvana é uma das minhas bandas top 5, sem dúvida. Passou a febre e ficou.
Claro, inicialmente o fato do "cara ter se matado" despertava ainda mais o interesse,
Em seguida comprei o genial In Utero.

Tinha um amigo que era das poucas pessoas com NET e MTV em casa. Sua maior relíquia, admirada por todos, era uma VHS com o clipe de Heart-Shaped Box gravado pela metade, da hora em que a mulher gorda pintada levanta os braços para uma árvore (bah). Além disso, inúmeros especiais sobre o Nirvana, esses que são reprisados todo carnaval pela MTV. São reprisados, eu tenho gravado, e eu não consigo deixar de assistir até o final, quando passam.

A movimentação entre os amigos era grande: video cassetes conectados, fitas sendo copiadas em EP. Tinha de tudo, Fúria´s MTV na íntegra, clipes aleatórios (dos quais o principal destaque era, obviamente, "Song 2" do Blur), mas sobretudo muito clipes, shows e matérias do Nirvana. E do Metallica.
Mas isto merece um capítulo à parte. Behold!

E escutem Nirvana, sempre. Quem não gosta, boa pessoa não é.
Escrevi muita coisa, transtornado com dezenas de músicas absolutamente geniais dos caras. Apaguei tudo, porque não há porque repetir o que já é dito há anos. Mas percebo também que é dessa época que vem mais uma peculiaridade do meu gosto musical: meu profundo gosto por estas letras caóticas e aparentemente sem sentido. A princípio, acho qualquer letra completamente secundária ao som. Senão, não ouviria metal.

Teenage angst has paid off well, now I´m bored and old.
Self appointed judges judge more than they have sold.


Mas lembro de uma entrevista do Cobain ironizando as interpretações trabalhadas de suas letras, especificamente desta aí, "Serve the Servants":

- A primeiro verso não tem nenhuma relação com o segundo. A letra não faz nenhum sentido.

Feito.


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3.4.06

História Musical Particular

Cap. 3 - "A Voz da Loucura" ou "A Descoberta da Verdade"

Eventualmente, invadi a locadora e apossei-me de "Nativity in Black - A Tribute to Black Sabbath". À primeira audição fiquei completamente emocionado. A versão do Megadeth para "Paranoid" é uma obra prima, assim como "War Pigs" ao vivo pelo Faith no More, "After Forever" com o Biohazard e "Children of the Grave", quatro tons abaixo, tocada pelo White Zombie. E a versão "from the devil´s point of view" com doze minutos de "Black Sabbath" interpretada por Type O Negative também impressiona.

Ainda assim não entendia muito o que estava acontecendo. Achava que os espetaculares rolos de Igor Cavalera na versão de "Symphtom of the Universe" do Sepultura eram erros de tempo do baterista. E acima de tudo: não havia percebido que aquilo não era Black Sabbath, eram outras bandas tocando suas músicas.



Ao perceber isso, rumei para a locadora e aluguei uma coleção de três discos denominada "Black Sabbath - The Ozzy Osbourne Years".
Fiquei bastante transtornado com o que ouvi.
A cadência das músicas era diferente das do Tribute.
Acima de tudo, tive a certeza de que os instrumentos foram gravados dentro de uma caverna onde são feitos sacrifícios humanos. O que mais me chamava a atenção, era o vocal alto, cheio de eco e com um timbre, sinceramente, assustador.

Não sei se eram as histórias que eu ouvia a respeito da banda - ou o "my name is Lucifer, please take my hand" no meio de "N.I.B." que eu conheci na versão paulada do Ugly Kid Joe -, mas a voz do Black Sabbath original me assustava. Parecia que o dono daquela voz era um pregador lunático blasfemando. Ozzy Osbourne era o nome dele, e não sei se eu estava errado.

Recorri a Rodinaldo:

- Cara, aluguei uns cds do Black originais, mas acho que estão com problema. "Paranoid" parece lenta comparada ao Tributo, e o vocal é meio louco.
- Sim, é isso mesmo.

Comprei os três cds da locadora, já usados e com várias músicas riscadas. Ainda estão por aqui, mais como relíquias. É uma coleção produzida na Inglaterra, tenho a impressão que não constam no catálogo oficial da banda.

Tinha um amigo, apelidado Tekatése (por causa de uma camiseta da marca TKTS), completamente alucinado por Ozzy, Sabbath e Cindy Lauper. Emprestou-me o Masters of Reality e o Paranoid. Tentou me empurrar o "Hat Full of Stars" da Cindy, mas não dei muita atenção.

Baseado na mesma lógica que transformou a "onça pintada", número 88 do álbum "Ping-Pong Pantanal", na figurinha mais rara da coleção, chegamos a uma conclusão meio primária: o álbum "Black Sabbath Vol. 4" era uma relíquia. Nunca havíamos visto aquele disco em lojas, e provavelmente havia um motivo para isso. Depois de muito economizar, rumei para uma loja e pedi o dito cujo.

- Vou ter que encomendar de São Paulo. É importado.
- OK.

Após duas semanas de constantes visitas à loja, o cd chegou. Era realmente importado, e o Ozzy vibrando na capa refletia meu estado de espírito.



A verdade é que eu poderia passar dias tentando descrever a dominação que ouvir Black Sabbath exerceu, e e exerce desde então sobre meu espírito. Nunca tinha visto a cara dos membros da banda, e um dia aluguei um VHS - "The History of Black Sabbath Vol.1".
O vídeo começa com uma apresentação de 1970 em um clube escuro Paris, e com imagens meio amadoras, só uma câmera, dando zoom pra lá e pra cá.

Soa repetitivo, mas lá vai: fiquei ainda mais assustado com tudo.
Ozzy absolutamente enlouquecido, cantando "N.I.B" e "War Pigs" com letras diferentes das que foram gravadas e Tony Iommi com sua SG e os excessos das cordas acima do braço refletindo contra a luz. Eu e alguns amigos percebemos, sem sombra de dúvida, um momento em que os olhos de Tony Iommi ficam vermelhos durante um solo, demonstrando claramente a sua possessão pelo demônio.

Gosto de todos os discos do Sabbath, com todos os vocalistas.
Pessoas de bom gosto gostam apenas da fase Ozzy, metaleiros apreciam a fase Dio. Fãs incondicionais gostam até das baladas com o vocal de Tony Martin. Fazer o que, deve ser a maldição.

Melhor encerrar este importante capítulo por aqui. Acrescento que, desde então, todo o mundo musical passou a ser dividido por mim entre "Black Sabbath" e "resto".


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30.3.06

História Musical Particular

Cap. 2 - "No início era o Smash" ou "O Profeta Rodinaldo"

Exatamente a falta de sincronia com o mundo, fez com que "Basket Case" do Green Day tocasse incessantemente na rádio durante o final de 95 e o início de 96. Me parece que o disco Dookie é de 1994. Basket Case é uma música sensacional, e depois de muitas promessas, meu colega Cadeco foi na loja Saci e comprou o cd. R$ 17, algo assim. Meu som não tocava cd. Perguntei para atendente pela fita cassete.

- Ainda não chegou, respondeu.

Ingenuamente esperei a fita por alguns dias, mas obviamente ela nunca chegou. Na época, fitas cassete originais já eram raras. As poucas que existiam eram pirataria das toscas. Nesse meio tempo, ganhei um som com cd player. No início das aulas, fiz amizade com Rodinaldo, um skatista reconhecido na região. Mencionei o Dookie.

- Green Day? Palha. Offspring é muito mais afudê.
(sim, ele falava "afudê" em Erechim, 1996)
- É mesmo?
- Garanto.



Semanas depois, me emprestou a fita gravada com o disco Smash.
E era. Muito mais "afudê".
O disco inteiro, ainda um dos meus preferidos.
Come out and Play, Bad Habit, Youth Energy, Genocide, todas. Todas.
Um ano e pouco depois, o Offspring lançou o "Ixnay on the Hombre", e mais uma das idiossincrasias da minha vida musical tomou forma: só consigo gostar de um disco uns dois anos depois de seu lançamento. Tudo que recém saiu do forno, recebo com desconfiança. Não devo ser o único. De qualquer forma, hoje em dia considero o Ixnay quase tão bom quanto o Smash. Ressalto o "quase".

Rodinaldo me influenciou bastante. Criei uma rotina semanal de locar cds e compras k7s virgens para gravá-los, tudo a rodo. Conheci dezenas de bandas num curto espaço de tempo, mas meus critérios ainda eram praticamente inexistentes. Gravei de tudo: Slayer, Black Train Jack, Sepultura, Pennywise, Jethro Tull, Bad Religion.

Troquei com meu colega uma fita do Undisputted Attitude do Slayer pelo empréstimo de quatro cds do Iron Maiden: o Iron Maiden, o Killers, e o A Real Live One. O quarto não chegou a ser emprestado, pelo que lembro.
A saga metaleira estava a caminho.

Simultaneamente, meu grupo de amigos "de bairro", diferente dos da escola, estava antenados ao pi-pa-pa-pa-ro-po. Top Surprise e as Sete Melhores da Jovem Pan eram o caminho. Fui até a HM e comprei duas fitas. TV Dance e "X Factor" do Iron Maiden (escrito Maide"m" na capinha pirata). Mas dentro do círculo de amigos, o rock também já começava a predominar. Entre os empréstimos interpessoais estavam o primeiro cd do Foo Fighters, de 1995, alguns do Iron Maiden, Guns and Roses e outros dois: "The Best of Black Sabbath" e "Nativity in Black - A Tribute to Black Sabbath".
"Black Sabbath" - que nome assustador, pensava eu.


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29.3.06

carona brasileiro arruína missão espacial

Tentando escapar de Santos X Bragantino, sou surpreendido ao ver a interrupção de Debi e Lóide no SBT para a transmissão do lançamento da nave espacial que leva um estadunidense, um russo e o primeiro brasileiro para o espaço.

Foram menos de dez minutos de transmissão, mas o bombardeio de informações sensacionais me comoveu. A princípio só apareciam o russo e o norte-americano, com pranchetas e observando instrumentos. Minutos depois, o russo aciona um comando com uma espécie de bengala e surge a visão de outra câmara, mostrando o brasileiro num canto, comemorando, acenando e mostrando a bandeira do Brasil no braço.

Simultaneamente, o narrador apontava que entre as coisas carregadas para o espaço pelo paulista, estavam 6 experimentos de instituições públicas, 2 de escolas de ensino médio, uma bandeira do Brasil, uma bola verde e amarela, uma camiseta da seleção e, obviamente, uma réplica do chapéu usado por Santos Dumont. Entendi rapidamente porque o brasileiro voltará daqui a alguns dias, enquanto os outros dois passarão seis meses em órbita.

Serenamente, o russo demonstrou ser o melhor de todos, mantendo a carranca durante todo o tempo em que seu objeto levado para o espaço, um pequeno urso polar pendurado sobre sua cabeça - representando sua "terra natal logo abaixo do Ártico, segundo a narração" -, sacolejava a 5 mil milhas por hora. Voltará do espaço com um romance de 700 páginas sobre a alma.

Ainda bem que o brasileiro não é gaúcho, senão seria realmente insuportável. Em dois meses, uma produção com verba pública de incentivo à cultura traria Werner Schunemann no papel de desbravador do cosmos. Marcos Breda seria o americano e Zé Victor Castiel seria o russo, naturalmente.


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